Informes de INR: o que o representante envia, quando, e o que trava

Informe mensal em dez dias úteis, semestral em quinze. O prazo é curto e a informação não nasce na sua casa: ela vem de custodiantes, escrituradores e administradores de fundos. É aí que o processo quebra.

EA
Equipe Arkar
Operações e Regulatório
27 de agosto de 2026
4 min

A Resolução CVM 13/2020 é clara sobre o calendário. O representante do investidor não residente registrado na CVM envia, por sistema eletrônico da autarquia, o informe mensal com as movimentações e aplicações consolidadas dos representados, conforme o Anexo B, em até dez dias úteis após o encerramento do mês. E o informe semestral, com as movimentações e aplicações dos participantes de conta coletiva e dos titulares de contas próprias, conforme o Anexo C, em até quinze dias úteis após o encerramento do semestre.

O prazo não é o problema. O problema é que o dado não é seu.

A informação vem de fora, e a responsabilidade é sua

A norma prevê que depositários centrais, custodiantes, entidades administradoras de mercado organizado, entidades registradoras, sistemas de liquidação, escrituradores e administradores de fundos de investimento forneçam ao representante as informações necessárias para elaborar os informes, quanto aos ativos de titularidade do INR que ele representa.

E prevê, no parágrafo seguinte, que isso não exclui a responsabilidade do representante pela entrega.

Essa combinação define a rotina inteira. Você depende de sete tipos de contraparte para montar um arquivo cujo atraso é seu. Na prática, dez dias úteis viram cinco: os cinco primeiros vão embora esperando retorno.

Onde o processo trava

Quatro pontos, sempre os mesmos.

O primeiro é o formato. Cada contraparte manda no layout dela: planilha, PDF, extrato de sistema, e-mail com corpo de texto. Alguém consolida à mão, e a consolidação manual é onde entra o erro que ninguém encontra depois.

O segundo é a conciliação de posição. O que o custodiante diz que existe precisa bater com o que o administrador do fundo diz que existe. Quando não bate, a diferença costuma ser de data de reconhecimento, e resolver isso consome o prazo.

O terceiro é a mudança cadastral no meio do período. Investidor que trocou de representante, mudou de condição de residência ou teve alteração de jurisdição obriga a decidir o que entra em qual informe.

O quarto é a retificação. Enviar no último dia com dado que veio errado de terceiro é como a maior parte das retificações nasce.

EtapaOnde costuma consumir tempo
ColetaEspera por retorno de custodiante, escriturador e administrador
PadronizaçãoLayouts diferentes por contraparte, consolidados à mão
ConciliaçãoDivergência de posição e de data de reconhecimento
ConferênciaRevisão linha a linha, sem regra automática
EnvioFila no fim do prazo, sem margem para corrigir

Fechar o informe no penúltimo dia não é zelo, é a única forma de ter direito ao conserto. Enviado no limite, qualquer erro descoberto depois vira retificação com prazo próprio e registro na sua ficha.

O que dá para automatizar de verdade

Coleta e padronização, que é onde está a maior parte do custo. Receber o arquivo de cada contraparte num ponto único, normalizar para um esquema comum e registrar de onde veio cada linha resolve metade do problema sem tocar em nada regulatório.

Conciliação automática por investidor e por ativo resolve boa parte da outra metade, com uma condição: divergência precisa gerar exceção nomeada, com responsável, e não um relatório que alguém abre quando lembra.

Conferência final e envio continuam sendo ato humano, com aprovação identificada. O agente instrui; quem responde perante a CVM é o representante, com nome e CNPJ.

Encaixe no calendário do mês

Os informes de INR competem por atenção com o fechamento de cota, o demonstrativo de carteira e o informe da categoria do fundo, todos na mesma primeira quinzena. Quem trata os dois calendários separados descobre a colisão no dia oito.

O jeito de resolver é o mesmo que descrevemos em calendário regulatório de CVM, ANBIMA e B3: a lista de obrigações nasce do cadastro, o prazo é calculado em dias úteis a partir de calendário vivo, cada entrega tem responsável nomeado e a baixa só acontece com comprovante.

Vale lembrar que o regime de acesso do investidor mudou em 2025, com a Resolução Conjunta BCB/CVM 13, enquanto o registro e a prestação de informações continuam na Resolução CVM 13/2020 — duas normas diferentes, tratadas em de 4.373 para a Resolução Conjunta 13. O texto da Resolução CVM 13 está na página de legislação da CVM.

Na Arkar, os informes de não residentes são gerados em XML no padrão da autarquia, a partir da mesma base que fecha a cota, com conciliação e trilha de auditoria por investidor. Se hoje isso é uma planilha consolidada à mão, agende uma demonstração ou escreva para contato@arkar.ai.

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