FIP-IE e FIP-PD&I: as obrigações que vêm junto com o incentivo

A Lei 14.801/2024 esticou os prazos de início e de enquadramento desses fundos, e o texto do Anexo IV da RCVM 175 ainda não acompanhou. Quem lê só a resolução está trabalhando com o prazo antigo.

EA
Equipe Arkar
Regulação e Compliance
05 de outubro de 2026
4 min

O FIP-IE e o FIP-PD&I existem para financiar projetos de infraestrutura e de produção econômica intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inovação, com tratamento tributário favorecido. O incentivo é conhecido. As condições para mantê-lo são citadas de memória, e é aí que a operação escorrega.

Comece pelo ponto que mudou e que muita gente ainda não incorporou: os prazos.

Os prazos mudaram, e o Anexo IV ainda não acompanhou

A Lei nº 14.801, de 9 de janeiro de 2024, alterou o art. 1º, § 10, da Lei nº 11.478/2007. Esses fundos passaram a ter prazo máximo de 360 dias, contados da obtenção do registro de funcionamento na CVM, para iniciar suas atividades, e de 24 meses para se enquadrarem no nível mínimo de investimento exigido.

Antes disso, o prazo era de 180 dias. E o art. 16, § 3º, do Anexo Normativo IV da RCVM 175 ainda refletia a redação antiga, contando 180 dias da primeira integralização de cotas — divergência que a CVM tratou no Ofício-Circular CVM/SIN 2/2025, entre outros temas de FIP.

Quem estruturou fundo lendo apenas a resolução trabalhou com o prazo errado. Vale conferir o cronograma dos fundos em constituição na sua casa.

Os requisitos de fundo

RequisitoConteúdo
FormaCondomínio fechado
ComposiçãoNo mínimo 90% do patrimônio em ações, bônus de subscrição, debêntures conversíveis ou não, ou outros títulos de emissão das sociedades-alvo, conforme permitido pela regulamentação de FIP
CotistasMínimo de 5, nenhum detendo mais de 40% das cotas nem auferindo mais de 40% dos rendimentos
GovernançaParticipação no processo decisório das investidas, com efetiva influência na política estratégica e na gestão
Início de atividades360 dias do registro de funcionamento na CVM
Enquadramento24 meses para o nível mínimo de investimento
DescumprimentoLiquidação ou transformação em outra modalidade de fundo

A efetiva influência é demonstrada, notadamente, pela indicação de membros do conselho de administração, pela detenção de ações do bloco de controle, por acordo de acionistas ou por outro ajuste que assegure essa influência. É requisito contínuo, não um item de checagem na constituição — o acompanhamento é o mesmo descrito em FIP e a 175: automação da governança das investidas.

A consequência do descumprimento não é multa: é liquidação ou transformação do fundo. Isso muda a natureza do controle. Limite de concentração por cotista, em particular, é o requisito que se rompe sem que ninguém faça nada — basta uma transferência de cotas ou uma amortização desigual.

Os dois limites de cotista, monitorados juntos

Nenhum cotista pode deter mais de 40% das cotas nem auferir rendimento superior a 40% do total. São dois testes, e o segundo é o esquecido.

Um cotista pode estar confortavelmente abaixo de 40% de participação e ultrapassar o limite de rendimento se houver série com direitos diferenciados, distribuição desigual entre classes ou amortização concentrada. O monitoramento precisa acontecer sobre a distribuição efetiva, evento a evento, e não apenas sobre a posição.

Isso pede o mesmo controle da cascata de distribuição, tratado em waterfall e carry em FIP.

O enquadramento de carteira é uma série, não uma foto

Noventa por cento do patrimônio em ativos-alvo é medido continuamente. A CVM já esclareceu, em ofício circular, que os 10% remanescentes podem ser alocados livremente, respeitadas as normas gerais aplicáveis.

O que derruba operações é a variação: valorização de um ativo fora do escopo, desinvestimento parcial, entrada de caixa aguardando alocação. O percentual sai do lugar sem que ninguém tenha feito nada de errado, e o prazo para reenquadrar corre.

Controle útil aqui é projeção, não constatação. Saber que o índice vai cruzar o limite em duas semanas por causa de uma amortização já contratada vale mais que descobrir que cruzou.

Onde isso encontra o regime dos cotistas

O regime de alíquota zero para investidores não residentes foi estendido a cotistas de FIP-IE e FIP-PD&I, e a discussão sobre requisitos de domicílio está em alíquota zero para INR em FIP. A qualificação do fundo como entidade de investimento segue valendo para o regime dos demais cotistas, tema de entidade de investimento.

Três camadas de enquadramento sobre o mesmo veículo, cada uma com sua evidência. Nenhuma delas sobrevive a controle por planilha trimestral.

Este texto descreve consequência operacional e não substitui assessoria jurídica ou tributária. Confirme os prazos aplicáveis ao seu caso na Lei 11.478 atualizada e nos ofícios circulares da SIN.

Na Arkar, os limites de composição, concentração e rendimento são monitorados por classe, com projeção e alerta antes do rompimento. Agende uma demonstração ou escreva para contato@arkar.ai.

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